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O texto-exílio de Maria Gabriela Llansol

Maria Lúcia Wiltshire de Oliveira

Abstract


Abstract. “I think that when you live, you are in the land of others,” said the Portuguese writer Maria Gabriela Llansol (1931–2008) in her manuscript notebook just before returning to Portugal from her semi-voluntary exile in Belgium from 1965 to 1985. Paradoxically, the distancing from the homeland elicited in Llansol the consolation that “she had nothing from her past but a language.” Her grounding place was this language that allowed her to create her new project, a “Collective real age as imaginary, and imaginary for being true.” In O Livro das Comunidades (1977), she inaugurates her writing of and from exile, forever breaking with her affiliation to the ‘representative’ novel. Whilst visiting the béguinage of Bruges, a convent of secular women, she realized that there “was the crossroads of the spiritual” that she sought, without knowing it, “the logos of the place; of the landscape; of the relationship; the hidden source of vibrancy and joy,” to which she later gave the name of luminous scene, that is, “an abode of images—, doubling space and bringing several times together.” In this article we look at the image as a minimum unit in the understanding of this Llansonian project, grounded on contributions from Deleuze, Hume, Pearce, Barthes, and Jean Luc-Nancy, among others. The article includes an introduction about Llansol and the uniqueness of her work; a reflection about exile as a textual experience next to the sense of deterritorialization; the discussion of the relationship between text-exile, image and luminous scene; and finally some reading about O Livro das Comunidades, followed by a conclusion.

Resumo. “Creio que quando se vive, se está em terra alheia”, disse a escritora portuguesa Maria Gabriela Llansol (1931–2008) em seu Caderno manuscrito um pouco antes de voltar a Portugal após o exílio semi-voluntário na Bélgica de 1965 a 1985. Paradoxalmente o afastamento da terra natal provocou em Llansol o consolo de que “não possuía do passado senão uma língua”, o seu ponto firme que lhe permitiu criar um novo projeto, uma “Comum idade real por imaginária, e imaginária por verdadeira”. Em O Livro das Comunidades (1977), ela inaugura sua escrita do e de exílio, rompendo para sempre com a sua filiação ao romance ‘representativo’. Ao visitar o béguinage de Bruges, convento de mulheres laicas, percebeu que ali “era a encruzilhada do espiritual” que procurava, sem o saber, “o logos do lugar; da paisagem; da relação; a fonte oculta da vibração e da alegria” a que mais tarde deu o nome de cena fulgor, como “uma morada de imagens—, dobrando o espaço e reunindo diversos tempos”. Neste artigo a nossa proposta é a de olhar para a imagem como unidade mínima para a compreensão deste projeto llansoliano, com base nas contribuições de Deleuze, Hume, Pearce, Barthes e Jean Luc-Nancy, entre outros. O texto inclui uma introdução sobre Llansol e a singularidade de sua obra; uma reflexão sobre exílio como experiência textual, próxima ao sentido de desterritorialization; a discussão da relação entre otexto-exílio, imagem e cena fulgor; e, por último, alguma leitura sobre O Livro das Comunidades,seguido de uma conclusão.


Keywords


exile, writing, image, luminous scene, Llansol

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