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A Passagem das Fronteiras e os seus Intervenientes na Prosa dos Autores Portugueses durante o Estado Novo

Marie-Isabelle Vieira

Abstract


Abstract. Based on Eduardo Lourenço’s observation regarding the lack of studies on the Portuguese of France, a sociocritical analysis of two Portuguese novels evoking the clandestine passage (popularly known as “o salto”) published under the dictatorship is proposed, replacing them in the difficult context of a censorship instituted in Portugal, with literature being under close surveillance. The first novel, A salto (1967) by Nita Clímaco, describing the trajectory of a man migrating to France, reveals a negative discourse on emigration, opposing two social groups: peasants and “others”, those who leave, and discloses the role of smugglers and canvassers (angariadores). The second, Fronteiras (1973) by António de Assis Esperança, precursor of Neorealism, depicts a fifty-year-old woman on the road to emigration to Germany and France by differentiating between two groups, those who regularly travel with a passport and those who are undocumented, which corresponds to the division between power-knowledge / poverty-ignorance. The clandestine passage of the border appears tragic under the pen of our writers, and intermediaries are seen as crooks, while the “salto” becomes notorious by becoming the matter of a fiction.


Resumo. Com base no relatório de Eduardo Lourenço sobre a falta de estudos sobre os Portugueses da França, propõe-se uma análise sociocrítica de dois romances portugueses que evocam a passagem clandestina (popularmente denominada « o salto ») publicados sob a ditadura, analisando-os no contexto difícil de uma censura estabelecida em Portugal, sendo a literatura sob vigilância elevada. O primeiro livro, A Salto (1967) de Nita Clímaco, descrevendo a trajetória de um homem emigrando para a França, revela um discurso negativo sobre a emigração, opondo dois grupos sociais: os camponeses e « os outros », aqueles que partem no exterior, e revela o papel de engajadores e angariadores. O segundo, Fronteiras (1973) de António de Assis Esperança, precursor do neorrealismo, descreve uma mulher de 50 anos no caminho da emigração para a Alemanha e a França, diferenciando dois grupos, aqueles que viajam regularmente com um passaporte e aqueles que são indocumentados, correspondendo à divisão entre o poder-conhecimento e a pobreza-ignorância. A passagem da fronteira clandestinamente é trágica sob a caneta de nossos escritores e intermediários são vistos como criminosos, mas o « salto » passa para a posteridade por ser objeto de uma ficção.


Keywords


Portuguese emigration, Portuguese novel, border crossing, smugglers, sociocritique

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