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Os Goeses e Outros Povos Asiáticos em Moçambique – Que Atitudes em Relação ao Português e às Línguas Bantu?

Carla Maria Ataíde Maciel

Abstract


Resumo. A presença de goeses em Moçambique, entre outros povos asiáticos, tem vários séculos e ocorreu, sobretudo, no processo da colonização portuguesa. Nesse contexto, várias comunidades fixaram-se e nativizaram-se no país, dando origem a fenómenos de mestiçagem biológica, cultural e, quiçá, linguística. Esses fenómenos de hibridização são analisados na literatura de história, antropologia cultural, sociologia e estudos culturais, mas têm sido minimizados por linguistas. Com efeito, descrições sobre o panorama linguístico de Moçambique apenas reconhecem a existência de línguas asiáticas no país. Não há estudos sociolinguísticos sobre o número de falantes das várias línguas asiáticas, os domínios de uso dessas línguas, as atitudes dos seus falantes em relação às línguas bantu e ao Português ou, ainda, sobre o contacto e a possível influência das línguas e culturas asiáticas nas línguas e culturas bantu e vice-versa. Consequentemente, as propostas de atendimento à diversidade cultural moçambicana e inclusão educativa perpetuam a marginalização de alunos nativos de línguas e culturas asiáticas. Neste artigo, vou apresentar uma breve revisão da literatura de história, antropologia cultural, sociologia e estudos culturais sobre a fixação da comunidade goesa e outras comunidades asiáticas em Moçambique e, nessa base, sugerir caminhos de investigação linguística que possam preencher a lacuna identificada.

Abstract. Goans, among other Asians, have been settled in Mozambique for several centuries. This settlement occurred mainly during the process of Portuguese colonization. In this context, several Asian communities settled in Mozambique and became native, giving origin to phenomena of biological, cultural and, perhaps, linguistic hybridization. These phenomena are analyzed in the fields of History, Cultural Anthropology, Sociology, and Cultural Studies but have been marginalized by linguists. In fact, descriptions of languages in Mozambique do little more than acknowledge the existence of Asian languages in the country. There are no sociolinguistic studies on the number of speakers of the various Asian languages, the domains of use of those languages, and the attitudes of Asian-language speakers towards Bantu languages or Portuguese. There are no studies on the contact and possible influence of Asian languages and cultures on Bantu languages and cultures or vice-versa. Therefore, proposals with regard to cultural diversity and inclusive education in Mozambique perpetuate the marginalization of students who are native speakers of Asian languages, the vehicle of their home cultures. In this paper, I will present a brief review of work in History, Cultural Anthropology, Sociology, and Cultural Studies on the settlement of Goans and other Asian communities in Mozambique and, on this basis, suggest future paths for linguistic studies that might fill in the gap identified.


Keywords


Asians, migration, multicultural exchange, hybridization, transculturation

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