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Os efeitos da memória histórica, das lembranças e da formação discursiva do livro didático de História no mundo figurativo do ator social brasileiro

Vagner Aparecido de Moura

Abstract


Resumo. O livro didático, como artefato cultural, exerce um papel essencial no processo de subjetivação e de individuação dos discentes na instituição escolar, espaço antropológico, que promove o diálogo, por meio da interlocução do livro didático -professor- aluno, com a intuito de possibilitar ao aluno encenar e projetar a sua relação consigo mesmo e com o Outro e, assim, não só estabelecer laços de pertencimento, mas também criar, no imaginário cultural, uma identidade e delimitar territórios. Esse cenário, permeado de vozes dissonantes, imagens, símbolos e linguagens, leva-nos a delimitar como objeto deste estudo, o livro didático de História para discutir a temática do racismo e as formas de combate-lo por meio dos seguintes eixos articuladores: a formação discursiva e a formação ideológica que perpassam a historiografia brasileira. Foi utilizado o método histórico descritivo-comparado, ancorado no aporte teórico da Análise de Discurso Francesa (AD), para compreender as distintas temporalidades e contexto histórico do material pesquisado: as imagens da capa da cartilha Caminho Suave do ano de 1964 e 2012 e a materialidade semiolinguística dos livros didáticos de História do ensino Fundamental II de Carvalho (1973) e de Holanda (1972). Como resultado, observa-se uma tendência ao processo de homogeneização do metadiscurso e o fomento dos signos definidores da nação: mito da democracia racial, embranquecimento, miscigenação, o simulacro da naturalização e da banalização das relações raciais.

 

Abstract. The schoolbook, as a cultural artifact, carries out an essential role in the subjectivation and individuation process of the students at school, as an anthropological space, which promotes dialogue, by interaction of the schoolbook – teacher – student, with the purpose of allowing the student to stage and project his relation with himself and with other. This process helps him not only to stablish ties of belonging but also to create an identity in the cultural imaginary as well as delimit territory. This scenario, permeated by dissonant voices, images, and symbols, leads us to delimit as the object of this study the History schoolbook in order to discuss the theme of racism as well as ways of fighting it through the following articulating axes: the discursive and ideological formation that are pervasive through the brazilian historiography.This study employs a descriptive-compared historical method, anchored in the theoretical framework of French Discourse Analysis, to understand different temporalities and the context of the researched material: cover images of literacy booklet Caminho Suave of the year 1964 and 2012 and the semiolinguistic materiality of the  History schoolbook of Elementar Education of Carvalho (1973) and Holanda (1972). As an outcome, the author concludes that there is a tendency towards the homogenization of metadiscourse and the promotion of the defining sign of the nation: myth of racial democracy, whitening, miscegination, the simulacrum of naturalization, and the trivialization of racial relations.


Keywords


Discoursive formation, schoolbook, historic memory, subjectivation, individuation

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